O estilo de Bárbara Carneiro

Eu demoro, mas volto. Apesar da correria (entrega de trabalhos na faculdade, textos de colaboração, projetos de extensão e uma série de coisas que me impediram de vir aqui), estou de volta.
E por isso, resolvi vir com um tanto de inspiração boa pra esse final de semana e pras semanas seguintes (não sei vocês, mas eu to precisando de muitas inspirações boas nesse momento). E como eu acho que diferentes idéias e visões, sobre os mais diversos assuntos, apenas enriquecem e fazem a gente aprender nuances que poderiam passar despercebidas, essa categoria (de Estilo) jamais vai se restringir a gente que se envolva profissionalmente com moda ou que aspire isso.
Porque o que está em “discussão” aqui não é marca, não é mais ou menos envolvimento com moda ou ainda consumismo way of life. O que tá em jogo aqui é gente que particularmente me encanta com seu modo peculiar de se vestir, com uma inspiração incrível, – que serve muito pra vida também! – com alguém que independente de acompanhar ou não o mundinho da moda, faz da sua roupa e das atitudes expressas nela sua forma de enxergar o mundo. E pra mim isso é a maior inspiração de todas.
E falar em inspiração e falar da Bárbara Carneiro (pra mim, a mais que querida Babi), chega até a ser um pouco de pleonasmo. E da mesma forma que ela expressa isso nas suas fotografias, nos seus desenhos, nos seus textos, ela expressa também nas roupas, no corte de cabelo, nas pessoas que, assim como ela me encanta, encantam ela também.
Abaixo vai uma pequena entrevista sobre essa pequena grande menina, e como ela entende moda e seu envolvimento com ela e o mundo.
Espero que gostem ;)
Ps: pretendo voltar com mais freqüência!

A Babi fez essa colagem incrível de mulheres que a inspiram. Na entrevista dá pra entender um pouco melhor o que cada uma tem de especial pra ela e como tanta referência se mistura e faz parte do “universo Bárbara”.

Nossa cabeça (tanto o que vai por fora e principalmente o que vai por dentro!) é um dos lugares que a gente pode mais ousar e colocar detalhes que mudem completamente um visual. E se você ainda não aderiu a moda camp como a Anna Dello Russo, não tem problema, dá muito bem pra enfeitar a cabeça de um jeito um pouco mais tímido e super belo.

Xadrez, tomboy, barrinha levantada, botões, azul, cupcake, sapatos <3

Nome: Bárbara Carneiro

Idade: 21 anos.

Profissão: Estudante de História.

Moda é…: impossível de definir? Parto do princípio de que tudo é um pouco de um monte de coisa. A moda é gosto pessoal, expectativa social, manifestação artística e mercado. Não dá pra entendê-la sem ver por esses ângulos.

Estilista preferido: poft. Nem tenho. Como não é algo que consumo, não tenho preferência. Mas, por exemplo, os desfiles do Alexandre Herchcovitch não passam em branco, porque acho que no Brasil ele é um dos que melhor costura a idéia de pessoalidade e manifestação social e artística na moda.

Coleção inesquecível: Inesquecível não digo, mas que a coleção Verão 2011 de Kenzo me agradou, isso é fato. A moda, apesar de autorreferente, é bastante datada temporalmente, por isso é difícil dizer que algo seja inesquecível, ao menos pra mim. Tenho a minha tendência a preferir verão a inverno, calor a frio. Essa coleção tem uma leveza nos tecidos e nas cores suaves, mas não opacas, que me encanta! (mesmo motivo pelo qual adoro ver as coleções da Totem; tenho vontade de ir pro Rio de Janeiro na hora!) Ah! Não posso esquecer da coleção verão 2011 de Sonia Rykiel, porque, apesar das peças serem bastante estruturadas, remetendo aos anos 50, tem cores lindas, listras e me alegram visualmente.

Ícone fashion: Como boa nerd de uns vinte-e-poucos anos, acompanho muito a Emma Watson. Mas preciso dizer que cortei meu cabelo curto antes que ela o fizesse. Gosto muito da Twiggy dos anos 60, acho que também por causa do cabelo curto (isso gera um corporativismo forte às vezes, haha), e porque são os anos 60. Eu sempre digo que sou hippie at heart, então é fácil me imaginar adorando Joni Mitchell, ou a Rita Lee (a dos anos 60 também, cantando n’Os Mutantes). Se eu for pensar no meu gosto por uma beleza fora do padrão, fico também com a Björk e com Frida Kahlo e a força expressiva da Penelope Cruz (afinal, sou tributária às “cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores”!)!

Curiosidades: Posso destacar duas do meu hábito de me vestir. A primeira é que grande parte das minhas roupas são herança em vida. Quando minhas tias ou minha mãe vão limpar o guarda-roupa, eu acabo escolhendo uma boa parte das peças pra levar pro meu. É muito raro eu sair pra comprar essas coisas. Acabo tendo uma relação bem objetiva com o que visto. A segunda é que, quando eu tinha uns 15 anos, não usava saias ou vestidos, nem peças cor-de-rosa. Por um posicionamento político mesmo. Achava que me vestir assim seria afirmar a idéia corrente de que meninas adolescentes são todas fofas e querem viver como a Barbie. Ao longo do tempo, fui me permitindo usar qualquer uma dessas peças, porque a minha personalidade já estava segura de que eu não precisava provar mais nada para ninguém. Tô bem centrada hoje em dia nas minhas idéias de ignorar a diferenciação de gêneros (beijo pro Laerte!) e sair de vestido num dia e de chuteira no outro, de usar peças floridas ou moletom. E como ainda vivo numa sociedade ainda muito machista, tento aproveitar as possibilidades que as mulheres conquistaram, de poder usar vestido, saia, coisa florida, calça, blazer, terno, enquanto os homens ficam restritos, de modo geral, ao seu padrão calça-camisa. (ó, tô generalizando porque tô falando da sociedade em geral; claro que existem mulheres machistas e tapadas e homens super abertos e simpáticos ao feminismo e a experimentações estéticas).

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